Chorinho de alegria

Título : Chorinho de alegria
Autor : IGOR SAVENHAGO
Veículo : Jornal “Gazeta de Ribeirão”

O choro, dessa vez, não é de tristeza. É choro de alegria, descontração. Chorinho de gente que dedica a vida a resgatar o ritmo consagrado na região por Zequinha de Abreu. O ritmo, que em tempos não tão distantes, chegou a ficar escondido, está ressurgindo com força total em Ribeirão Preto. Os grupos mais antigos, que não o deixaram morrer, e até jovens talentos persistem na arte de divulgar a melodia que mistura cavaquinho, bandolim, violão de seis e sete cordas, piano, pandeiro, percussão… em porções e proporções variadas, ao gosto do freguês.

Durante a semana, o choro vira motivo de felicidade nos bares, restaurantes e pizzarias. É nesses locais que os divulgadores do estilo agradam aos famintos por música brasileira de qualidade. Quando o fim de semana se aproxima, os instrumentos ganham as ruas, os espaços públicos. Na última sexta-feira de cada mês, por exemplo, o Sexteto Colibri marca presença na Praça Sete de Setembro. E em todos os domingos, a festa fica completa. O encontro é no Museu do Café, dentro do campus da USP-Ribeirão. O grupo Os Roxinóis anima os visitantes.

É Roxinóis mesmo, e não “Rouxinóis”, como pensa a maioria. Um dos integrantes do grupo, José Augusto Torres Vasques, acordeonista, 71 anos, explica a grafia. “Um antigo flautista do grupo, já falecido, se chamava Antônio Clóvis Roxo Guimarães. Então alguém perguntava: ‘quem vai tocar?’. Outro dizia: ‘O Roxo e Nóis’. Acabou ficando. Roxinóis”. O grupo é o mais antigo de Ribeirão que toca chorinho. Suas raízes estão em 1977. A partir daquele ano, um grupo de amigos passou a se reunir num bar para apreciar uma boa canção. Hoje, é formado por cinco pessoas, esforços unidos em prol de uma tradição.

“Em 1994, começamos a tocar no Museu do Café, contratados pela prefeitura. De lá para cá, tivemos contato com muita gente de outros Estados e até do exterior, que ajudaram a espalhar o chorinho. Muitas cidades do Brasil promovem apresentações em praças”, conta Vasques. “E há pouco tempo, surgiram outros grupos em Ribeirão. É um orgulho ser um dos precursores do chorinho na cidade”.

Nenhum Cometário

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