Do Coreto para o Teatro

Título : Do Coreto para o Teatro
Autor : Régis Martins
Veículo : Jornal A Cidade

É possível unir Tonico e Tinoco e Ernesto Nazareth? Para o Sexteto Colibri de Ribeirão Preto a resposta é afirmativa. – É tudo música que vem da alma brasileira, garante Nélia Nery Paterno, a Nelinha, tecladista do grupo. O Sexteto se apresenta hoje com o violeiro Mazinho Quevedo no Theatro Pedro II na reedição de uma parceria que fez sucesso no ano passado. O show, chamado “Do Caipira ao Choro”, lotou o Teatro Municipal em março de 2006. – É importante pra gente porque o Mazinho já é um artista consagrado, ressalta.

Noel Rosa

Mas trabalhar com estilos aparentemente diversos não é algo tão novo para o grupo. Desde maio deste ano, o sexteto deu início a uma série de shows com a cantora Tina Oliveira, chamado “Cometa Noel”, com músicas do célebre compositor carioca. Desde então já se apresentaram no Barmania, Sesc, USP, Espaço Santa Elisa e vão estar presentes na Feira do Livro. Mas o conjunto ganhou destaque graças as apresentações realizadas no coreto da Praça Sete de setembro. O projeto “Serenata na Sete” é realizado todas as últimas sextas-feiras do mês desde 2001. Contratados pela prefeitura, as apresentações continuaram mesmo com a mudança de administração.

Sanatório

O Colibri, na verdade, nasceu Beija-flor em junho de 1999. Os amigos músicos se reuniam para tocar para uma platéia mais que especial: os pacientes do Sanatório Espírita Vicente de Paulo. Mas quando o número de shows aumentou, resolveram registrar o nome e descobriram que outro grupo Beija-Flor já existia. Mudaram o nome, mas o passarinho continuou o mesmo. O grupo alçou novos vôos e participou de vários eventos e festivais em São Paulo e Rio de Janeiro. O sexteto é presença garantida no Festival Zequinha de Abreu, de Santa Rita do Passa Quatro e o Festival Nacional do Choro, no Rio de Janeiro. – Nos reuníamos por amor ao choro, só entre amigos. De repente a coisa foi ficando mais séria, lembra Nelinha.

Alegria e ritmo

Empresária e pianista, sempre foi uma apaixonada por choros, desde a época em que ainda estudava música e era proibida pela professora de tocar qualquer coisa que não fosse erudita. – Pra mim, o choro é uma música que tem melodia, alegria e ritmo, ressalta. Além dos dois CDs que gravou com o Colibri, “Sexteto Colibri em Pé Quente” e “Choros para Ouvir e Dançar”, a musicista também tem um álbum solo onde interpreta valsas com artistas convidados e participações na histórica série criada pelo saudoso violonista Horvildes Simões, “Gente Cá da Terra”. – Infelizmente o choro é uma música que não toca nas rádios, mas acredito que há um renascimento e muita gente está ouvindo e tocando o estilo, argumenta. Nelinha acredita que a união entre música caipira e chorinho literalmente dá samba. – A gente toca no ritmo do Mazinho e o Mazinho toca no nosso ritmo. É tudo música, resume.

Miscigenação – Para a acordeonista do sexteto Therezinha de Biaggi, os dois estilos podem andar juntos sem preconceitos. – A música caipira tem uma raiz rural e o choro tem a raiz urbana, mas ambas têm a mesma gênese na miscigenação entre as culturas negra, européia e indígena, explica. A acordeonista diz ainda que o som da viola no choro é de arrepiar. – O próprio Jacob do Bandolim dizia que o choro não rejeitava nenhum instrumento, diz. Therezinha acredita que o estilo vem ganhando novos adeptos junto à nova geração. – Não acredito em renascimento e sim uma retomada, porque o choro sempre esteve por aí, conclui.

Encontro – O violeiro Mazinho Quevedo vai além. Diz que este “encontro entre amigos” deve resultar em um DVD. – Vamos gravar em novembro em um show em Limeira com músicas de Cascatinha e Inhana, revela. Mazinho informa que viola e choro têm tudo a ver. Tanto que sempre tocou “Tico-tico no Fubá” nas dez cordas. Entre as músicas do show de hoje, promete uma versão saborosa de “Trenzinho do Caipira”, de Villa Lobos. Para conseguir tal entrosamento ensaia uma vez por semana com o sexteto, após as gravações do programa “Caminho da Roça” da EPTV. – Aliás, foi graças ao programa que conheci o grupo, afirma o violeiro, que vive em Araras.
Serviço – Mazinho Quevedo e Sexteto Colibri – Hoje às 20h30. Theatro Pedro II. Ingressos a R$ 30 e R$ 15. Inf.: (16) 3977-8111

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