Título : Na Roda com Bambas
Autor : Revista Revide
Veículo : Revista Revide

Por trás do chorinho, do samba raiz e da se resta, estão as mãos habilidosas de artistas que mantiveram e mantêm vivas as tradições musicais em Ribeirão Preto

O som dos coretos
De fato, esse charmoso estilo musical nunca saiu de cena: pode ser apreciado, às sextas-feiras, nos coretos da Praça XV de Novembro ou da Praça Sete de Setembro pelas mãos prodigiosas dos integrantes dos Grupos Evocação e Sexteto Colibri, ou aos domingos de manhã, no Museu do Café, através do projeto “Café com Chorinho” com Os Rouxinóis. O Sexteto Colibri existe há 13 anos e é composto por Clélia da Cruz Coimbra (violão sete cordas), Sebastião Góes, o Tiãozinho (cavaquinho), Nélia Nery Paterno (teclado e piano), Giba Gomide (pandeiro), Ricardo Junta Perez (percussão) e Terezinha de Biagi (acordeão). A proposta do grupo era, na verdade, beneficente: Clélia, Tiãozinhho, Nélia e Terezinha se apresentavam em instituições da cidade. A ideia de tocarem profissionalmente surgiu em 2001, curiosamente, em Ubatuba.

Estavam descontraídos, tocando os instrumentos, os donos do La Vechia Villa ouviram e os convidaram para tocar na pizzaria. Lá permaneceram de 2001 a 2006. Na época, fizeram um curso pela escola Portátil de Música do Rio de Janeiro, em que tiveram contato com grandes nomes da música, como Yamandu Costa, Hermínio Bello de Carvalho, entre outros. “Todos gostávamos de choro, mas quando conhecemos, de fato, esse universo, mudou nossa maneira de tocar e de interpretar a música brasileira. Conseguimos perceber as nuances do choro, o que faz o diferencial do grupo”, conta Clélia. Edu: “O choro é uma música que vem do nosso povo” A partir de então, passaram a tocar o choro em todos os lugares, inclusive em eventos como o Festival Zequinha de Abreu, do qual participam desde 2002. Conforme Tiãozinho, é possível ver refletida nas pessoas a magia do choro. “O Brasil está com saudade do Brasil. Estamos querendo resgatar nossas origens. Essa garotada que hoje está difundindo o choro está querendo amar nosso país. E o choro é a música mais brasileira de todas, vem da miscigenação de tudo que é o nosso retrato. Ficamos tristes ao ver que a população não tem acesso” destaca. Apesar de popular, o choro é essencialmente instrumental: as características mais apreciadas são o virtuosismo e a capacidade de improvisação dos chorões coisas de bamba, que tem em seus representantes mais famosos Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim e o mestre Pixinguinha.

Formado por Délcio Teixeira (cavaco), Antônio Bolzoni (violão sete cordas) e José Carlos Minto (vocal), o Grupo Musical Evocação está agora na expectativa de arrumar novo percussionista. A primeira apresentação do grupo foi em agosto de 1999. “A gente se reunia para tocar, simplesmente, até que aconteceu o primeiro evento e nunca mais paramos: passamos a tocar em casamentos, bodas, inaugurações e, através da Secretaria Municipal de Cultura, realizamos eventos na Praça XV e na Rômulo Morandi, nos Campos Elíseos, por nove anos”; conta Antônio, acrescentando que o projeto foi suspenso quando Dárcy Vera assumiu a Prefeitura. Realizam, também, apresentações itinerantes pelos bairros Manoel Pena, Jardim Paulista e Vila Tibério, que são independentes da Secretaria. Assim, “indo aonde o povo está”; com seu repertório que abrange músicas que embalaram as décadas de 50 a 70, o grupo divulga o choro e a seresta.

“Em nossas apresentações há muitos jovens. Procuramos dar o melhor de nós para o público, que é a nossa principal razão’; afirma o músico, destacando que também realizam shows mensais na praça em Patrocínio Paulista. A música do Evocação também transpôs barreiras pelas ondas do rádio: já fizeram programa na Rádio 79, na Rádio de Batatais e de Brodowski e participaram de programas televisivos da EPTV, da Tv Unaerp e da TV Thathi. Como os próprios participantes do grupo comentam não há limite nem idade para a arte. “Não há música moderna, nem música antiga. Há música boa e música ruim. A boa se perpetua” finaliza.

Inspirações musicais

Em Ribeirão Preto, muitos músicos serviram de exemplo e inspiração para gerações. Um dos que não se pode esquecer é Horvildes Simões.

O violonista foi professor da Unaerp, criador do disco “Gente cá da Terra”: que registrava e divulgava as obras de artistas locais.

Conforme França, a música ribeirãopretana deve muito a ele. “Horvildes era um agitador cultural.
Também não podemos nos esquecer de seu parceiro, Caetano Mancuso, do João Norato (o João do Cavaquinho), do Paulinho Sete Cordas, dos irmãos Edinho e Altamir Penha, do Bilo, do Peri, do João Vivia no, que tocava com seu grupo no restau rante do bosque, famosíssimo pela música e pela localização: ficava dentro do bosque municipal”; recorda França. Por lá também passaram Wanderley Taffo, Bilo, Dodô, Pér2ira, Bolacha e Bimbim, entre as décadas de 60 e 80, artistas que, ao lado de Caburé, França, Edu e dos instrumentistas do Sexteto Colibri, do Grupo Evocação e do Roxinóis, influenciaram a juventude e mantiveram viva a alma da música autenticamente brasileira em Ribeirão Preto.

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