José Luiz Ventura, ex-professor de História e agora chefe da Seção de Cultura da cidade

Santa Rita do Passa Quatro mantém um acervo histórico, o Museu Zequinha de Abreu, desde 1981, com mais de 40 peças do músico, incluindo instrumentos musicais, móveis, objetos pessoais como bengala e bolsa e até partituras manuscritas, como “Mignon“, um de seus dobrados. “Todos os objetos foram doados pela família”, diz José Luiz Ventura, ex-professor de História e agora chefe da Seção de Cultura da cidade. “São 121 partituras registradas, mas tenho certeza que existem várias outras sem registro”, afirma. Ainda na cidade, uma praça, um conservatório, uma instituição educacional e uma rádio levam o nome do compositor.
Todas essas homenagens se completam com o “Festival Zequinha de Abreu”, que acontece todos os anos em setembro, mês de nascimento do compositor.
As apresentações ficam por conta dos desfiles de bandas marciais, da Banda Zequinha de Abreu e do Sexteto Colibri, de Ribeirão Preto, que tem um espetáculo musical e teatral montado com 19 composições do homenageado. “O espetáculo se tomou possível quando conhecemos dona Leila de Abreu, uma das seis netas do compositor. Ela nos passou partituras que até então eram desconhecidas, dando-nos condições de fazer um verdadeiro espetáculo”, conta Therezinha de Biaggi, uma das musicistas do Sexteto.

“O Zequinha me deixava louca”

Dona Leila, aposentada que não revela a idade de jeito algum, mas brinca dizendo que já está na fase de só entrar em carro se for no banco atrás, é filha de Durval, o segundo dos oito filhos do compositor santarritense. Ela tem muita história para contar. O compositor tocava piano sempre que estava em sua casa, todo dia e a qualquer hora.
Tinha o hábito de, ao terminar uma composição, reunir todos os filhos e a esposa e tocar, para que dessem opinião e nome à obra, conta a neta.
“As palavras usadas pela vovó e a forma risonha com que contava os fatos são as melhores coisas que me lembro. O vovô era assim, amigo dos amigos, amparava-os nas horas mais difíceis, mesmo com sacrifício pessoal e familiar, sempre sorridente. Lembro como se fosse hoje minha avó dizendo: ‘O Zequinha me deixava louca.

Quando voltava do trabalho sempre tinha uma surpresa. Trazia com ele músicos amigos que não tinham lugar para dormir. Pedia para acomodá-los e, no dia seguinte, acordá-los com um
belo café da manh㔑, completa.
“Há pessoas que nascem com o poder criador e a sensibilidade de juntar notas musicais, que são uma caricia a abrandar as almas dos mortais. Beethoven escreveu que a música vem do
coração e ao coração se dirige. Zequinha sabia muito bem disso. Em suas composições era fácil notar a grande inspiração e autenticidade como ponto de partida. Preferia a linguagem sonora, ou seja, passava para o público os seus sentimentos e ideias através da harmonia de suas músicas, e não pela letra verbal.
Mas isso não quer dizer que Zequinha não escrevia lindos textos para acompanhar suas músicas”, salienta Giba Gomide, também musicista do Sexteto Colibri.
Zequinha de Abreu faleceu em 22 de janeiro de 1935, aos 54 anos, mas há quem diga que ele ainda vive.
“Morreu? Não, não morreu. Sua obra está cada dia mais viva em nós do Sexteto Colibri. Gostamos imensamente de interpretar Zequinha, tal como é, sem rebuscamentos ou contornos ‘eruditos’. Apreciamos o sentimento e a nostalgia presentes em suas valsas e a alegria contagiante de seus choros e maxixes”, afirma Therezinha de Biaggi.

A vida dedicada à música

fonte:
SERVIÇO: Museu Zequinha de Abreu
Aberto de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas – Praça Poeta Mário Matozo, s/nº – Centro – Telefone: (19) 3584-5974 – Santa Rita do Passa Quatro-SP.

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